Depois de tanto tempo sem te ver, chegou o momento de saber mesmo se fui curada. Se aquele sentimento que tinha, chamado algumas vezes de amor, permanecia ali, intacto – com arranhões- porém vivo. Preferiria que não. Seria melhor pensar que foi calor de momento e que simplesmente gostei, sem precisar ser eterno, sem precisar necessitar da sua presença, mas não foi assim…
Nos reencontramos, pois a saudade já estava doendo e tudo veio a tona, minha cabeça fervilhando, lembrando das coisas muito boas que passamos juntos, das risadas, da grande cumplicidade, dos bons momentos…
Porém apesar de toda a lembrança feliz, vieram também as más lembranças: a solidão, a decepção, a tristeza. Logo me vi confusa, minha cabeça era uma mistura louca de todos os sentimentos: amor, tristeza, rancor, alegria, mágoa. Tudo junto em um só pensamento, em um só momento…
Confesso que em alguns momentos, na maioria deles, queria não estar ali, ficava pensando o que fez terminar algo que tinha tudo pra dar certo. Como um sentimento tão bom, puro e belo teve que terminar?
A minha vontade era não estar ali, afinal não ia matar realmente a verdadeira saudade que estava sentindo. Me senti uma tola em querer estar mais uma vez com uma pessoa que me fez tão feliz e também tão triste.
Percebi que não estava curada, que aquele sentimento estava ali, vivo. E que não podia fazer nada para poder adormecê-lo.
Queria dizer o tanto que amava, apesar dos pesares, sobrevivemos a tantas ventanias, tantos precipícios e sobrevivemos. Mas cada vida seguiu um caminho, trilhou seu rumo.
Só sei que agora é tarde demais…
“Eu possa me dizer do amor (que tive):
que não seja imortal, posto que é chama
mas que seja infinito enquanto dure.”
Vinicius de Moraes
T.
