Archive for Março 31, 2010

Da minha janela

Da minha janela vejo carros, comércios, pessoas  de qualquer tipo e forma.

Notei algo que para muitos é tão comum, mas para mim mudou o dia, vi uma mãe e sua filha. A filha era deficiente mental, tinha dificuldade ao andar, porém não andava de cadeira de rodas, mas se apoiava em sua própria mãe.

Vi que em todos os lugares que elas passavam, as pessoas olhavam, e em algumas delas dava pra entender o que  pensavam : “Coitada da mãe” ou então, “tadinha da menina”.  Confesso que os olhares das pessoas acabavam me deixando  perturbada. Porque muitas das vezes, pareciam que olhavam como se estivessem vendo um monstro, uma aberração da natureza. Como se ali fosse o errado, o feio, o esquisito. Mas afinal o que é o belo?

Tudo bem, vocês devem estar pensando: “mas você também não estava olhando, qual foi o seu olhar?”. Tá certo também olhei- e ainda foi melhor, pois tive uma visão panorâmica, estava do alto, vendo toda aquela situação… Mas mesmo se estivesse lá embaixo, não mudaria meu olhar. Não sei descrever, mas não olho com pena, nem muito menos com rejeição. Acho que sempre trabalhei isso em mim, para que não parecesse algo que eu sempre odiei, a rejeição e o preconceito.

Só sei que fui tomada por um sentimento e este  foi tão grande, encheu meu coração, foi um misto de compaixão, entrega… Minha vontade foi de descer correndo pelas escadas, pegar aquela mãe no colo e preenchê-la de muitas coisas boas.  Senti-me tão vazia, tão nada, porém tão cheia. Queria saber o que ela pensava ,o que  sentia.

Perguntei a mim mesma: “será que ela agradece a Deus todos os dias pela filha, como será que ela a trata, de onde ela tira tanta força e coragem, quais o seus anseios, seus medos, suas dúvidas…será que ela tem alguma esperança?”

Então elas passaram  pela minha janela, lentamente e a cada passo era como se fosse uma vitória alcançada. Parecia que a filha estava numa corrida e tinha obtido o primeiro lugar. O rosto de satisfação de ambas, a felicidade da vitória alcançada, fez com que o meu dia e também a minha vida ficasse mais completa. Desejei abraçar, beijar as pessoas, sem querer nada em troca.

Tudo isso graças aquela mãe e sua filha que passaram pela minha janela.

Beijos!

T.

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